Até há alguns anos seria inimaginável encontrar produtos brasileiros fabricados por uma comunidade amazônica na Europa, nos Estados Unidos ou em países asiáticos. A internet, porém, encurtou a distância por meio de uma ferramenta que se mostrou eficaz mundialmente: o comércio eletrônico entre as empresas, mais conhecido como B2B (business to business).

Ao toque de um clique, as empresas nacionais alcançam os mais desafiadores mercados com a redução dos trâmites de negociação e a otimização dos processos. Considerando a exclusividade e a qualidade indiscutível dos produtos nacionais, a demanda só tende a crescer. Esse espaço pode e deve ser preenchido pelas pequenas e médias empresas.

De acordo com dados do Sebrae, existem atualmente mais de 5 milhões de micro e pequenas empresas no País, que representam apenas 2% das exportações brasileiras. Levantamento recente do Alibaba.com com as MPEs brasileiras mostra que 93% dessas companhias já utilizam computador e internet e 81% já contam com website próprio. No entanto, apenas 28% delas utilizam plataformas online B2B para atingir o comércio internacional. Esse gargalo representa uma oportunidade de negócios para as MPEs.

O primeiro semestre de 2010 mostrou um Brasil revigorado e pronto para atingir o mercado internacional. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior apontam para o crescimento de US$ 170,5 bilhões, com ampliação de 35,3% sobre o mesmo período de 2009, quando atingiu US$ 126 bilhões. Somente as exportações registraram um aumento de 27,5% no período com um valor de US$ 89,2 bilhões. Esses indicadores mostram que o País reagiu de forma satisfatória frente aos efeitos da crise financeira mundial. No entanto, a valorização recente do real perante o dólar afetará as exportações com a tendência natural ao estímulo das importações. Dados do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior apontam que o real foi a moeda mais valorizada em relação ao dólar nos últimos cinco anos: 46%, de agosto de 2003 a agosto de 2008, contra 22,7% da média mundial.

É crucial neste momento intensificar as exportações com iniciativas plausíveis e realistas. Mais uma vez o comércio eletrônico surge como alternativa a esse processo, ao viabilizar negociações entre fornecedores e compradores das mais diversas regiões do mundo. Plataformas B2B evitam viagens de negócios muitas vezes desnecessárias e com custo elevado, principalmente para as pequenas e médias empresas que têm recursos limitados. Seguindo esse caminho, em um futuro não muito distante, será possível visualizar um cenário promissor para as MPEs brasileiras no mesmo molde das companhias de mesmo porte de outros países do Bric, como a China. O volume gerado pelo e-commerce no país asiático ultrapassou US$ 530 bilhões em 2009 e, de acordo com a China Internet Network Information Center (CNNIC), a população online já chega a 420 milhões usuários. Chegou o momento de o Brasil seguir esse exemplo.

* Kenneth Ma: CEO da Ludatrade.com, empresa que representa no Brasil o maior portal B2B do mundo, o Alibaba.com.

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